VITAL FARIAS

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

"O HOMEM QUE VIROU SUCO"-FILME EM QUE VITAL FARIAS, PARTICIPOU COMO ATOR E FEZ A TRILHA SONORA!

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Ficha Técnica de O Homem Que Virou Suco SINOPSE: Cantor de cordel é confundido pela polícia de São Paulo com operário que esfaqueou o patrão. Bem-humorado e inteligente estudo sobre a classe operária. Medalha de Ouro no Festival de Moscou, o filme abriu as portas do Leste europeu para o cinema brasileiro.  

ORIGINAL: O Homem Que Virou Suco (1981)
TAGS: drama, filme premiado, nordestino, poeta popular, sp, 
FALA: "É a história de todo nordestino. Do cara que chega em São Paulo, trabalha, luta e acaba passando fome e virando suco de laranja."
DIRETOR: João Batista de Andrade
ROTEIRISTA: João Batista de Andrade
TRILHA: Vital Farias
ATORES:

Aldo Bueno
 

Rafael de Carvalho
 

Denoy de Oliveira
 

Dominguinhos
 

José Dumont
 

Vital Farias
 

Barros Freire
 

Renato Master
 

ATRIZES:

Ruthinéa de Moraes
 

Célia Maracajá
 

Ruth Escobar

O homem que virou suco
Bem, antes tarde do que nunca. Eis que venho para falar dele, de um homem que saiu de sua terra natal, mais precisamente da Paraíba, em busca de novas oportunidades de vida na grande e frenética cidade de São Paulo. A princípio parece ser mais uma história comum, ao tratar sobre a migração dos nordestinos para cidades metropolitanas, entretanto, o filme que foi lançado no início dos anos 80, pelo diretor João Batista de Andrade, está intimamente envolvido com o contexto político turbulento que o Brasil se encontrava. Seria até superficial falar do filme e não fazer nenhuma referência histórica da época que percorre vários momentos críticos do personagem Deraldo (interpretado por José Dumont).


Por este mesmo fator, o filme de João Batista teve no início uma certa resistência para a exibição televisiva. Já que expõe reflexões sobre questões do drama político e social da época. Que iniciava a retomada de grandes manifestações do povo pelos direitos humanos, da quebra do silêncio que multidões conquistavam no rompimento da ditadura militar marcados principalmente com as greves dos trabalhadores de grandes metalúrgicas e de indústrias da construção civil, além do marco do movimento das Diretas Já.

De fato a década de 80 já começava borbulhando transformações marcantes na vida de muitos brasileiros. E contextualizando a obra do filme nesse cenário tumultuado é que João Batista insere a história de Deraldo, que sai da suas origens nordestinas com o sonho de ser um poeta, mas é a todo instante pressionado  pela sociedade a ter um trabalho para provar que é um cidadão útil. Ao mesmo tempo em que ele é cobrado, também tem que conviver com a exploração de mão-de-obra, a discriminação e o descaso da sociedade.


Nesse mesmo ponto podemos perceber o choque cultural e a pressão do sistema capitalista sobre a condição de muitos brasileiros que por questões menos favorecidas e sem muita escolha, tinham que se submeter a subempregos para expremer todo o "sumo" até virar suco para saciar a sede dos grandes e poderosos "senhores do capital". Mas se formos analisar bem, mesmo com melhorias nos direitos de trabalho, esse tipo de situação ainda não se desfez totalmente. 


Além dessas questões políticas e culturais, Deraldo tem que se livrar de outra complicação, a de ser confundido com um outro nordestino que migrou para São Paulo e matou o seu chefe em um evento de premiação aos operários. Mas não é de grande valor contar todo o desenrolar do filme, apesar que em alguns momentos as cenas terem rupturas repentinas, com uma linguagem cinematográfica que lembra documentário (por ter sido filmado a maior parte com câmera na mão), onde o personagem aparece e desaparece bruscamente em cenários diferentes, vale a pena assistir considerando que se trata de um filme que concentra em um personagem até então comum vários acontecimentos de relevância crítica e reflexiva sobre a política, o preconceito e a luta pela liberdade de expressão do povo brasileiro.
Premiações:

- Medalha de Ouro (Melhor Filme) no Festival Internacional de Moscou 1981
- Festival de Gramado 1981: Melhor Roteiro, Melhor Ator, Melhor Ator Codjuvante
- Festival de Brasília 1980: Melhor Ator
- Festival Internacional de Huelva (Espanha) 1981: Melhor Ator
- Prêmio Mérito Humanitário (Juventude Soviética - Moscou) 1981
- Festival de Nevers (França) 1983: Melhor Filme, Prêmio da Crítica
- Prêmio Qualidade Concine 1983 (Brasil)
- Prêmio São Saruê, concedido pela Federação dos Cineclubes do Rio de Janeiro 1983

O filme também conta com a participação especial de Dominguinhos e Vital Farias, ambos de grande valor para a música popular brasileira.


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FOTO ACIMA>VITAL FARIAS E DOMINGUINHOS, cenas do filme!

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era uma vez um homem que não tinha identidade e então foi confundido com um meliante foragido cido que esfaqueou o patrão

nada demais nada demenos
apernas mais um homem no gigante enorme
são paulo comendo e regurgitando vidas incontáveis em incontáveis momentos

olho os passantes enquanto espero a proxima parte do discurso do método
quantos métodos para cada instância
e quantas intâncias, infinitas a cada parada de pensamento
não há mais substância, não há forma
há padrão de movimento, mas há também um espaço pequeno em cada sonho disposto a se tornar aquilo que é
raven de edgar allan poe dizia nunca mais e eu penso que nunca mais é dizer sempre o mesmo
estadia nas sombras do tempo.
lombra decentemente vestida, sonhos de padaria esquecida
palavrs sem nexo aparente, espaço momento inerente
coluna vertebral aquecida, joelhos frouxos, temporas e timbres - atenção atenção atenção.

quantas palavras são necessárias para dizer aquilo que não se pode deixar quieto?
o que vale mais que a vida?
deve estar mesmo a distância entrte o tudo e o nada menor do que o silêncio e o olhar?
quantas vezes devo dizer até me calar?

um sonho sonhado por um sonhador de calabar.

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